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09/08/2011

Insidious



Foto: site omelete

O longa-metragem Insidious narra a história de uma família que se muda para uma casa doada em herança. No momento de adaptação ao novo lar um acidente doméstico deixa um dos filhos em coma. A família passa a ser atormentada por aparições sobrenaturais, que parecem estar intimamente ligadas ao coma da criança.

O roteiro do filme foi escrito por Leigh Whannell e James Wan assina a direção. A dupla ficou famosa pelo primeiro longa da série Jogos Mortais. Insidious, diferentemente de Jogos Mortais, envolve o público com seus planos e enquadramentos criados para criar a atmosfera de terror psicológico.

A primeira parte do longa traz a promessa de um bom filme de terror. Alguns elementos clássicos do gênero são usados de maneira surpreendente. Novas saídas para histórias antigas são encontradas neste filme.


Foto: site omelete

A segunda metade de Insidious pode ser analisada como um elogio ao cinema de terror dos anos 80. A ambientação construída pela direção de arte torna-se um modelo Hora do Espanto. Se entendido sobre este aspecto Insidious não decepciona, pois na segunda parte não existem sustos e soluções criativas, apenas uma volta ao passado.

É difícil se fazer assustar atualmente em filmes sobre fantasmas, o longa veio como uma promessa de sustos, porém o saudosismo comprometeu o resultado.


16/05/2011

Antichrist - 2009 - Lars Von Trier


O humano veio da natureza selvagem, se originando e se criando em meio as mais diversas espécies de animais, partindo para a civilização devido a sua mente desenvolvida em comparação aos outros. Para o homem moderno, a natureza selvagem pode ser a melhor forma de encontrar a paz interior – explicada por atos como a pesca ou uma simples férias acampando longe da metrópole – ou, ao menos, se livrar das preocupações mundanas do cotidiano. Mas, para Lars Von Trier, a natureza não é tão amena assim: é nela que podemos encontrar o verdadeiro eu do individuo, tão perigoso e indesejado, pois este ambiente é a real “Igreja de Satã”, intocada há eras.

“O Caos Reina” é o infeliz lema que Ele (interpretado por Willem Dafoe) descobre tardiamente ao levar Ela (Charlotte Gainsbourg, filha do cantor Serge Gainsbourg com a atriz Jane Birkin, numa performance tão perturbadora que recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes) para sua casa no meio do bosque conhecido por Éden, numa tentativa frustrada de tratar Ela após a trágica morte do filho pequeno do casal, Nic. Durante esta terapia, vamos descobrindo que Ela não é a pessoa bondosa que parece, revelando um verdadeiro demônio interno, que leva como regra de vida espalhar o caos em tudo que toca.

Aproveitando-se do cenário demoníaco e herético do filme unido a uma forte depressão, Von Trier não perdoa o público ao revezar cenas de sexo explícito com cenas de mutilação genital, mostrando que o que separa o indivíduo correto da verdadeira "encarnação do mal" é uma linha tênue. Porém, o mais ousado de Von Trier foi reconstruir o mito do paraíso (Éden) invertendo a simbologia de cada personagem: ao invés de Adão (Ele) e Eva (Ela) serem puros, os protagonistas são seres aflitos pelo pecado, sem nenhuma forma de purificar as suas almas e encontrar a “graça eterna”.

A forma no qual o filme é estruturado (um prólogo, três capítulos e um epílogo) permite que o espectador perceba como os protagonistas decaem em sua própria loucura (principalmente Ela, que se culpa pela morte de seu filho da mesma forma que acredita ser uma vingadora de muitas mulheres torturadas na Idade Média). E principalmente com o epílogo extremamente poetizado, o diretor lança um final subjetivo, onde duas interpretações são válidas: ou os personagens encontraram a sua desejada salvação ou se perderam eternamente naquela natureza maldita sem fim.

Antichrist é recheado de simbolismos, e deve-se ter mente aberta pra se apreciar esta obra-prima. Ou seja, deve-se ignorar qualquer ofensa moral e religiosa e curtir o espetáculo, mesmo que isso pareça extremamente impossível, lembrando que o exibido não passa de mais uma bela loucura do diretor, que ainda promete muito mais no mesmo estilo (Melancholia vem com tudo neste ano!).

- Robson Martins.

02/05/2011

[ REC ] (2007)



Os filmes em 1ª pessoa, ou seja, aqueles em que um ou mais personagens da narrativa carregam a câmera que registra a história, na maioria das vezes dando aspecto de filmagem amadora, tem conquistado cada vez mais espaço na tela grande, principalmente pelo gênero terror. A febre que começou com o falso documentário A Bruxa de Blair (1999) chamou a atenção, e com isso também surgiram: Diário dos Mortos (2007), Cloverfield (2008) e O Último Exorcismo (2010). Mas desde 1999, o que realmente mais impressionou a todos foi REC.

Filme espanhol com roteiro original, REC trata-se da noite em que uma jornalista e seu cinegrafista acompanhavam um grupo de bombeiros em seu plantão, que receberam um chamado para salvar uma senhora presa em seu apartamento. Dentro do edifício descobrem uma infecção contagiosa, acabando cercados por policiais que estão ali para impedir que saiam, para que a doença não se espalhe.

Do ponto de vista da câmera do cinegrafista, o filme é tenso, obscuro, brutal e polêmico. Muito além de ser somente um filme de “monstros” com banho de sangue, REC escancara, com realismo, assuntos que envolvem conspirações e a indiferença e frieza da natureza humana em casos de desespero.


[REC, filme de terror de 2007, dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza. Tem uma seqüência (REC 2) filmada no mesmo ano, mas que estreou em 2009 nos cinemas, cuja trama se passa alguns minutos após o início dos acontecimentos do primeiro filme, e já tem continuação (REC: Genesis) com lançamento marcado para 2011. Foi feita uma refilmagem americana chamada Quarentena em 2009, que desagradou críticos, fracassou em bilheterias e foi descartada pelos fãs da série.]