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09/08/2011

Eu Não Quero Voltar Sozinho



O segundo curta metragem de Daniel Ribeiro, Eu Não Quero Voltar Sozinho, conta a história de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que vive a decoberta do primeiro amor com a chegada de um novo aluno, Gabriel (Fábio Audi), em seu colégio.

O curta de 17 minutos traz como tema a descoberta do primeiro amor. A homossexualidade e a deficiencia visual servem como pano de fundo à inclusão das pessoas consideradas diferentes na sociedade. A história é sobre um amor que nasce de forma inocente e vai descobrindo o outro como pessoa amada. O beijo gay ainda polêmico na televisão brasileira é tratado neste curta de forma natural e simples, como deve ser.


Foto: blog oficial

Guilherme Lobo interpreta o deficiente visual com uma exatidão que encanta em certos momentos. Fábio Audi e Tess Amorim também merecem créditos. Os três em cena possuem verdadeira química. A escolha do elenco foi eficaz.

A canção "Janta", de Marcelo Camelo esta presente na trilha sonora, sua letra acompanha a mudança na relação dos amigos, Leo e Giovana, com a chegada de Gabriel. A letra de "Janta" interage com o que os personagens vivem no filme.

Eu Não Quero Voltar Sozinho não pode ser considerado um curta para um público específico, não é um curta temático, o foco não é a homossexualidade ou a polêmica do beijo gay e sim uma história de amor, sutil e encantadora.


Assista Eu Não Quero Voltar Sozinho

17/03/2011

Estômago

=(ATENÇÃO: postagem com conteúdo altamente spoiler - ao menos ao meu ver - se você ainda não assistiu ao filme... Não perca tempo, é ótimo!! Assista e delicie-se antes de descobrir os grandes segredos dessa belíssima produção do nosso país =)


Uma excelente direção de fotografia, um roteiro espetacular, uma atuação exemplar: “Estômago” é um filme que fala de hierarquias, poder, sexo, culinária... E trás uma – perdão pelo trocadilho – deliciosa revelação ao final. A trilha sonora é também um dos pontos fortes do filme, contribuindo para a “relação de amor” que se cria entre Raimundo Nonato e os pratos que prepara, relação esta que é simplesmente a essência do filme: a comida com a qual ele seduz, a comida que ele usa como arma, a culinária à qual ele serve e se entrega.

Independente do quanto se defenda o personagem pela sua origem humilde – sendo que nem sequer sabemos o porquê dele aparecer perdido em "Curitiba" (há uma micro-cena em São Paulo), como se a viagem tivesse sido arranjada de última hora – e pelo carisma que sua aparente ignorância provoca, o fato é que é justamente tudo isso que torna Raimundo Nonato uma perfeita caracterização de psicopata (e ao contrário do que se pensa a princípio, essa doença é muito mais comum na sociedade do que se pode imaginar). Um psicopata não é necessariamente um assassino frio e serial killer que mata sem pensar quem estiver por perto. É comprovado pela ciência que existem vários níveis de psicopatia, começando pelo simples sujeito que puxa o tapete dos colegas pra se promover dentro da empresa.

Um psicopata costuma ser uma pessoa inteligente, carismática e persuasiva, que vai conquistando aos poucos a confiança de quem estiver em seu redor, mas que por trás de sua simpatia não mede esforços pra conseguir o que quer e não possui empatia com as outras pessoas, considerando sua satisfação sempre o mais importante.

É o que Nonato faz, através de seu jeito ingênuo e acuado de caipira nordestino, mas que com alguns goles de bebida alcoólica se revela o monstro assassino que é – e isso é muito bem enfatizado até no roteiro, fotografia, montagem e direção de cena do filme, no primeiro momento de fúria, em que Nonato vê sua amada prostituta se despindo e acariciando os clientes da balada onde trabalha e, já alterado, tenta partir pra cima. O que o impede realmente de poder “sair matando todo mundo” é sua estrutura física, mas que não serve de empecilho para um homem que tem inteligência de sobra a usar – e é esse seu maior trunfo, o dom de aprender rápido e ter talento, que o torna um excelente cozinheiro e o faz crescer na hierarquia, tanto dentro como fora da cadeia.

E é essa inteligentíssima surpresa que faz do roteiro de “Estômago” uma das melhores e mais detalhadas retratações de um psicopata na História do Cinema.