
Blog de crítica de cinema dos alunos do Curso Técnico em Produção de Áudio e Vídeo do IFPR Curitiba
25/06/2011
Deep End - Jerzy Skolimowski - 1970

27/05/2011
Bin-Jip - Kim Ki-Duk - 2004
26/05/2011
Fish Tank – 2009 – Andrea Arnold

A infância e a juventude rebelde sempre foram temáticas para o cinema, tendo seus principais representantes lá pelos meados dos anos 50, com filmes como The Bad Seed (retratando uma criança possessiva / possuída) ou o clássico Rebel Without a Cause (com jovens nem tão jovens fazendo rachas, bebendo, e fugindo de suas casas), tão populares hoje em dia no círculo de críticos. Andrea Arnold, usufruindo deste conhecimento, brinda-nos com a sua visão de como seria esta juventude rebelde, adaptando-a aos costumes atuais, dentro de uma Inglaterra marginalizada, criando um filme único sobre como uma família não deve ser (e olha que a família de Little Miss Sunshine é perfeita perto desta!): este filme é Fish Tank (lançado no Brasil com os títulos de À Deriva e Aquário), vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2009, além de outras premiações mundo afora.
A premissa do filme é simples: Mia, uma jovem de 15 anos, sonha em se tornar uma profissional de street dance, é para isso deve enfrentar todos que atrapalham seu caminho, desde sua mãe beberrona ao namorado sedutor dela. Porém, dentro desta linha de narrativa, temos uma das personagens que mais sofre por ser adolescente: durante todo o filme vemos a rejeição da mãe por Mia e o interesse incestuoso de Connor, namorado-quase-marido de sua mãe (sentimento que, alias, é recíproco), além dos problemas com a irmã menor, extremamente lesada por uma vida já abalada por vícios (leia-se drogas e álcool). A grande chance de Mia subir na vida é um concurso de dança, na qual ela recebe o suporte de um amigo “acidental” e do próprio Connor.

A partir deste momento parece que a vida de Mia começa a se encaixar nos eixos mas, devido a sua atração sexual por Connor e pela decepção com o mesmo (que possui uma outra família bem estruturada escondida das vistas de Mia e de sua mãe) ela desiste do trabalho e da vida em família, fugindo para Londres com o seu único amigo, e escapando do lar corregedor para o qual a sua mãe deseja enviá-la.
Arnold é clara ao explicitar os altos e baixos da juventude, usando como espelho a novata Katie Jarvis, que incorpora magnificamente dentro de si uma jovem sem motivação nenhuma na vida. O palavreado, os gostos musicais, os figurinos, são itens que fazem a identidade desta garota, que deseja ser amada do jeito que ela é. Ela não é nenhuma santa, mas é cheia de sentimentos caridosos repreendidos (vistos principalmente na sua tentativa exaustante de resgatar um cavalo à beira da morte), vistos apenas por seu amigo ‘acidental”.
Na verdade, Fish Tank não é um filme sobre a juventude transviada ou sobre crises de família: Arnold entrega um filme que mostra a realidade, focando nos guetos da atual Inglaterra, tão marginalizados pelo cinema que passam despercebidos pela atual cultura política mundial. E ao mostrar esta realidade inesperada inglesa, ela ainda relembra a nossa própria realidade, lembrando que não há muitas diferenças entre um país de primeiro mundo com um emergente.

- Robson Martins.
29/04/2011
The Rapture – 1991 – Michael Tolkin
A fé por uma entidade superior ronda a raça humana desde os seus primórdios, surgindo antes mesmo de uma escrita, sendo adaptada pelos babilônicos, egípcios, gregos, persas, romanos, pelas sociedades medievais, e chegando até a nossa cultura social atual. Porém, chegamos a um momento em que várias entidades divinas foram criadas, junto ao surgimento de várias religiões e seitas, que chegamos a perguntar se essa fé é real ou apenas um instrumento para esconder a verdadeira identidade de um individuo. E utilizando desta questão fundamental que Michael Tolkin concebeu seu estranho O Juízo Final, levantado até onde a fé cega pode levar um individuo desmotivado.
Neste ponto, Tolkin deixava claro que a religião torna as pessoas alienadas, porém acaba traindo a si mesmo ao mostrar o fim do mundo da forma como a seita previa, numa seqüência extremamente elaborada. No fim, temos Sharon sozinha no limbo, recusando a Deus de todas as formas possíveis. O filme, que tinha tudo para ser um arrasa quarteirão, derrapa nos seus últimos dez minutos, quando Sharon, não se sabe o por quê, não deseja ficar com sua família no Paraíso. Mas a maior dúvida persiste: Até que ponto a fé faz bem para as pessoas? Tolkin se propôs a responder isso e falhou terrivelmente!
02/04/2011
Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles - 1975 - Chantal Akerman

Reduzindo um pouco a metragem citada acima, temos o maior tour de force francês ao qual já fui apresentado: o minimalista Jeanne Dielman, exercício de paciência e calmaria da belga Chantal Akerman. Durante quase três horas e meia acompanhamos o dia-a-dia de Jeanne Dielman, dona de casa que passa praticamente seu dia arrumando a casa, preparando as refeições de seu filho único, tomando longos banhos e, às vezes, saindo para fazer compras. Atrás desta vida monótona, existe uma mulher que para sustentar seu “luxo” e seu filho se prostitui no seu próprio apartamento com a mais variada espécie de velhos solteirões de Bruxelas. E o filme é praticamente uma repetição de tudo mencionado acima durante toda sua metragem.

O que torna Jeanne Dielman especial é o tratamento que Akerman dá a sua protagonista, que dentro dos planos longos de atividade caseira mostra uma mulher que esconde com todas suas forças sua fraqueza, sendo seu conformismo um casulo para proteger a ela própria e aos outros de suas frustrações internas, liberada apenas ao fim do filme.E ninguém seria mais perfeito para interpretar Jeanne do que a diva francesa (pelo menos ao meu ver) Delphine Seyrig, que se entrega totalmente a uma personagem sem nenhuma perspectiva para sua vida.
Por mais cansativo que este filme seja (e infelizmente devo concordar com isso), é impossível descartá-lo de sua importância para a noção de um cinema no qual os míseros detalhes constituem toda a sua trama.

Robson Martins.
28/03/2011
"Dançando no Escuro" - Lars Von Trier, maestro da depressão
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08/03/2011
Quem tem Medo de Virginia Woolf (Who's Afraid of Virginia Woolf) - 1966 - Mike Nichols

Há filmes nos quais o espectador é convidado a sentir todas as emoções de seus protagonistas, sejam estas boas ou ruins. Porém, em Quem tem medo de Virginia Woolf, é impossível encontrar alguma emoção boa no turbilhão de sentimentos que seus quatro protagonistas lançam o espectador: todos os atos de Elizabeth Taylor, Richard Burton, George Segal e Sandy Dennis são decadentes, trazendo à tona a loucura particular de cada um, da mesma forma que esta loucura carrega os seus piores segredos.
Adaptado da peça de sucesso de Edward Albee pelo grande roteirista Ernest Lehman (conhecido pelos roteiros de A Noviça Rebelde e Amor, Sublime Amor), Quem tem Medo... já mostra a natureza de seus personagens logo em sua abertura, quando Martha, interpretada perfeitamente por uma Liz Taylor no auge da carreira, importuna seu marido George (Burton, também esposo de Taylor na vida real) sobre uma frase que ouviu num filme de Bette Davis (referindo-se ao filme Beyond the Forest e a frase “Que pocilga!”). Os exageros morais fazem parte dos personagens, mais explicitados com a presença dos elementos restantes: O biólogo (ou matemático, se a palavra de Martha foi mais importante) Nick e sua esposa Honey. À primeira vista, Nick e Honey são o casal perfeito perante os velhos George e Martha; mas aos poucos vemos a realidade (claro, com o auxílio de muitos copos de whiskeys e brandies) e descobrimos que todos, sejam jovens ou velhos, são almas recheadas de problemas e preocupações: Martha é manipuladora e impulsiva; George é extremamente submisso; Nick é movido a interesses; e Honey não possui força de vontade.

Essas quatro personalidades unidas conseguem criar uma noite de horror, pior do que as babaquices explicitas de Sam Raimi em terrores como A Morte do Demônio: não há sangue, não há violência (não em excesso), mas a decadência moral orquestrada por um iniciante Mike Nichols se torna insuportável em certos momentos, “manipulados” por Martha e seus joguinhos (entre eles, o mais divertido: Humilhem o anfitrião).
Deixando de lado a pesada narrativa do filme, Quem tem Medo... possui um elenco invejável a qualquer outra produção hollywoodiana dos dias de hoje: Taylor mereceu sem dúvidas seu segundo Oscar, da mesma forma que Dennis ganhou sua primeira estatueta interpretando a frágil Honey, enquanto Burton e Segal estão perfeitos como opostos de uma mesma espécie de homem. Como em Persona, de Ingmar Bergman (outro filme no qual fiz questão de comentar), Quem tem Medo... tenta mostrar a natureza humana da pior forma possível. E consegue.

Robson Martins.
Fonte das imagens: http://whatthemovie.com/movie/who_s_afraid_of_virginia_woolf
06/03/2011
Persona - 1966 - Ingmar Bergman
Apesar da grande admiração que a crítica e o público tem por Persona (lembrando sempre que se trata de um cult), é inevitável dizer que este filme é perturbador, sendo ainda possível ousar comentar que é a obra mais insana do grande mestre Ingmar Bergman (seguido de perto pelo enigmático A Hora do Lobo), que sempre buscou expor, em seus filmes, a real natureza humana, aqui tratada sem a menor delicadeza.





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